sábado, 19 de setembro de 2009

Momentos Difíceis (Existe um Fim Definitivo para Tudo?).


 Não é fácil compreender aquilo que nossos pensamentos se recusam a ver. Como podemos enxergar uma verdade se estamos presos a uma mentira? Imagine um mundo perfeito, onde nada mudasse, onde nada se renovasse, onde o nascido não pudesse se tornar recriado?
Teria razão para existir um mundo assim? Se nada mudasse, se as coisas criadas não se tornassem renovadas, por que deveriam existir? Uma coisa terminada, perfeita, acabada por estar concluída, precisaria existir?

Por que existimos não sabemos, mas não podemos negar que a renovação é a única certeza que temos diante de nós. Não podemos evitar, a renovação é a lei das coisas creadas, é a força motriz do universo. Ele cria e ao contrário do que pensamos, não recria. Ele apenas dá continuidade aquilo que já criou. Não teria sentido algum recriar e recriar, partir para sempre do ponto zero, para o próprio ponto zero. Isso seria a auto-anulação, o fim de si mesmo.

O que se cria não pode ser descriado, mas deverá, e o será, para sempre modificado, renovado, aperfeiçoado. Não nascemos porque já existimos antes, mas porque já fomos criados. Aquilo que nasce não foi criado, mas apenas continuado em seu eterno movimento de transformação. Aperfeiçoar não quer dizer finalizar, chegar a um ponto final, mas antes disso, a infinita caminhada do creado, para o mais de si mesmo.
 sofrimento humano é tão verdadeiro quanto o é o existir de todas as coisas.

Imagine uma planta incapaz de sair de suas raízes, incapaz de buscar água profunda nos momentos de crise, incapaz de sintetizar os nutrientes da terra que a mantém viva. Seria essa planta coisa perfeita? Assim também não acontece conosco? Como podemos nos renovar se não nos movemos em nenhuma direção, se permanecemos estáticos, fixos, não seria o mesmo que estarmos mortos?

Uma criança ao desenvolver-se não deixará de ser criança para se tornar adulto? Não nasce um adulto e morre uma criança? É possível que um exista sem a morte do outro? Como podemos nos renovar, renascer, se não nos permitimos adentrar em um mundo novo, que até pode ser desconhecido para nós, assim como o é para o adolescente que se torna adulto, para a criança que se torna adolescente.

Não se enganem meus amigos, o existir é coisa infinita, coisa essa que pode ser mal compreendida pela nossa estreita e previsível mente, mas que se torna real quando estamos dispostos a examinar o próprio viver, dia após dia, onde aquilo que fica para trás servirá de base para nossos futuros alicerces.

Muita Luz , equilíbrio e força para todos.
Autor anônimo.

domingo, 13 de setembro de 2009

O Avarento

Um rico avarento encontrou um pote cheio de moedas de ouro, enterrado em sua propriedade. Com receio de que alguém o visse, cobriu tudo com galhos de mato e no dia seguinte, disposto a ficar de olho no seu achado, levou sua mulher ao lugar e lhe disse: “Acho que vou mandar construir uma pequena cabana nesse local, para onde nos mudaremos, pois considero essa área mais fresca que a da casa, e assim poderemos passar tardes mais agradáveis; o que você acha da idéia?”. Ela claro, concordou, pois já se cansara da pequena e precária casa onde viviam.

Ele claro, não arredou o pé durante toda obra, e sua maior recomendação fora a de preservar o espaço, onde estava o arbusto que cobria seu tesouro. Mandou inclusive construir um pequeno muro em volta. “Adoro esse tipo de arbusto”, justificava ele. E como não se desse por satisfeito, sempre desconfiado de tudo e de todos, durante a noite costumava se levantar várias vezes, e para não chamar a atenção de sua mulher, resolveu fingir que era sonâmbulo. E sua mulher dizia: “É perigoso caminhar dormindo, acho que você deveria ir no doutor”. Ele claro, inventava mil coisas e sempre dava um jeito de não ir.

Ocorre, que tomado por uma longa enfermidade, causada pela friagem da noite, logo viu toda sua fortuna sumir. Então ele se vê verdadeiramente pobre como sempre fizera questão de parecer. Mas, recuperado da enfermidade, e tranqüilo por saber que ainda dispunha do pote de ouro escondido, disse à sua mulher: “Dinheiro é assim mesmo, a gente ganha, a gente perde”. A mulher quase não acreditava naquilo que ouvia, e atribuiu o fato, aos efeitos colaterais dos remédios que tomara, e da longa enfermidade. Como era possível que um homem sovina daqueles, fosse capaz de se transformar assim; só podia ser efeito da medicação. Respirou aliviada, e pensou: “Logo o efeito dos remédios passa, e tudo volta a ser como era antes”.

Mas eis que sua mulher sela de vez suas pretensões ao lhe confidenciar: “Você sabe que sua enfermidade foi longa e cara para nós. Ocorre que num dado momento faltou dinheiro para dar prosseguimento. Por isso tivemos que procurar outro médico. Este teve de começar do zero e finalmente gastamos até o que não tínhamos. Disse que se tivéssemos terminado o tratamento com o primeiro, a cura teria sido mais rápida. Tive então que vender nossas terras para um arrendatário que nos proibiu de tocar em qualquer coisa que nela exista. Para isso até colocou aqui um empregado apenas para nos vigiar, dia e noite, até o dia que deixarmos o local”.